Devaneios & Realismos


numa filipeta amassada

Botei a mão no bolso da calça que já estava a caminho da máquina de lavar

Achei uma filipeta amassada que tinha um nome e um celular

Era você naquele café

Eis que surgiu, me recordei

Havíamos mudado nosso rumo, e não era prá ser naquela hora

Tomei outro prumo na virada e não voltei mais a olhar para aquele lugar

Onde a filipeta amassada fez sua história

Quase virou ficção, mas não

Virou não

Achei que que havia deixado no chão daquele café, mas não

Achei, me recordei

E aquele nome voltou a me ver

Tirei do bolso e desamassei o pretérito imperfeito

E aquele nome voltou a me ver



Escrito por Barbarella e a vida é bela às 20h06
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Tonight you belong to me

 

Tem uma versão com a Fiona Apple e o Jon Brion que é uma coisinha...



Escrito por Barbarella e a vida é bela às 13h48
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ego passado

Metamorfose de Narciso de Salvador Dalí

 

Ao se melindrar com palavras sebosas, percebia um calor oriundo do mais profundo e rotundo submundo. O ego. Não quero parecer pragmática ou coisa parecida, mas não se deve alimentar esse bicho estranho, escuro, estúpido que nos corrói as entranhas e transforma a face de mephisto num quase buda da compaixão. Cuidado com a Cuca que a Cuca te pega, te pega daqui, te pega de lá. Quero ver caírem os umbigocentistas de plantão. Ainda sentirão, ainda sentirão... 

E eu na minha concha, entro larva, saio pérola. Quanto mais me protejo, mais me protejo.

É só carcassa, meu filho. Só carcassa. Não vale isso tudo, nem vale nada. Ou melhor, não sabemos o valor real, ou o valor é muito relativo como tudo na vida. Mas, e daí? Quam dá a medida é você. Se alguém supervaloriza alguma coisa, é você mesmo, neném. Pára de se cutucar. Abre esses olhos de madre-pérola, estufa esse peito de pombo de prata. Aquece esse coração de lagarto esfomeado, aracnídeo dos infernos. Sê gente, oh! Sê gente. Veja na minha mão, que ela está estendida a você. Que você pode pegar nela e achar algum conforto. Eu quero o oposto do osso. Você quer exatamente isso. O mundo gira aos nossos redores...ao redor de cada um e entre todos, e rodopia por aí e volta pro nosso centro. O centro é seu e eu tenho o meu. Não deixe as areias cobrirem seu caminho. As passadas foram lentas e dolorosas. Não podem ser esquecidas. Há que pisar nos mesmos passos para mantê-los na sua história. Não deixar para trás...

Lembra-te de ti e então saberás.



Escrito por Barbarella e a vida é bela às 17h27
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Some Velvet Morning



Escrito por Barbarella e a vida é bela às 11h52
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Os ais de hoje...

Ai, quantos lamentos, ai

Não me canso, ai

Reclamo, ai

Suspiro profundo, ai

Calorzinho no peito, ai

Saudade da praia, ai

Ventinho no rosto, ai

Alegria, ai

Notinhas musicais, ai ai ai

O sol em meio às nuvens, ai

Passarinho cantando, ai

Saudade docê, ai

Bom, bom demais, ai

 

 



Escrito por Barbarella e a vida é bela às 17h04
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Uma história na mesa de jantar

Estavam todos sentados à mesa. Ouviam-se vozes estáticas e eram palavras entrecortadas. Um dizia que era medo, outro dizia que era luxo. 

Não se pode contrariar a vontade alheia, dizia o outro. Era somente uma tentativa. Sabe aqueles que não se tocam, que não se comunicam? Havia uma impossibilidade de entendimento.

A menina chorava e aos soluços debruçava-se sobre a mesa. Não lhe entrava na cabeça como poderia ser tão difícil. Queria dizer tudo o que sentia, porém...não saía. Somente lágrimas.

Foram contadas inúmeras histórias, inclusive algumas hilárias. Todo riram. Mas, novamente um silêncio arrebatador se instaurava no recinto. O propósito era agregar. Unir aquela gente tão diferente que era do mesmo sangue.

Um abriu a boca e só saíam faíscas, fagulhas, veneno. Então, calou-se.

Outro tentou abraçar a menina que com um cotovelada o afastou. Não, não é assim que funciona. Temos que conversar. Abrir o báu, tirar todas as roupas velhas e sujas e separar, uma a uma, e lavar.

Estou tentando, dizia a mais velha. Estou tentando há muito tempo e estou cansada já.

Por alguns minutos se entreolharam, muito seriamente. Nada acontecia.

Aos poucos, foram se levantando e lentamente se retirando da sala.

Deixariam para outra hora. Outro momento. Não funcionou. Tentarão num futuro próximo.



Escrito por Barbarella e a vida é bela às 13h21
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RADIOHEAD!!!

Esse é um dos clipes mais lindos da existência, como diz a amiga...

Por conta de uma gentileza das brabas, daquelas que só os mais queridos amigos fazem mesmo, vou ao show, nesse domingo. Voltarei ao assunto.

Enjoy:

"Street Spirit (Fade Out)"

...immerse your soul in love...

 



Escrito por Barbarella e a vida é bela às 10h26
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La Revolution des Crabes



Escrito por Barbarella e a vida é bela às 13h17
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reticências particulares de uma tarde sem sol

Como isso se parece com sua vida!

As nuvens se dissipando...

Assim como os sonhos. Assim como os anos, os amores.

Bate uma nostalgia repentina. Nostalgia do que não passou, do que não viveu.

Emocionou-se com aqueles lindos dias de inverno em que não estava lá.

E pensou em todos os lugares em que nunca estará.

E isso lhe confortou. Teve certeza de tudo que não iria viver. Soube da sua vida e da sua morte. Sorriu.

Edvard Munch



Escrito por Barbarella e a vida é bela às 20h09
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Amor Meu

sou um vaso sem planta, caminho sem rumo

pedra jogada ao léu...corpo sem eira nem beira

cansaço

sou só pó

coração apertado

sou lágrimas e soluços

vento forte avassalador, destelhando casas e fazendo voar os bichos e tudo o que há

sou devaneio puro

sou nociva, peçonhenta

sou bixodomatocommeeeeeeedo

sou caracol que foge da casinha e fica no frio, ao relento....

sou perdida, uma doidivana

é que já não vivo sem você, amor meu.

O óleozinho que faz as roldanas girarem. A rebimboca da parafuseta que falta para o ótimo funcionamento dessa máquina avariada que sou eu.

Alegria da minha vida. Me faz sorrir ao acordar....sabe lá o que é isso?

Não és a razão. És o contrário, paixão.

 



Escrito por Barbarella e a vida é bela às 15h24
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Japonismos



Escrito por Barbarella e a vida é bela às 11h30
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Mas é bonita, é bonita e é bonita!

Enquanto via os noctilucus, centenas de luzesinhas piscavam, tudo respirava e eu respirava junto. Tudo era vida e brilhava. Era moonlight over Praia Vermelha. E o coração batia apressado, pois ardia.

Diáfano, o mar. Vi uma raia pintada deslizando sutil, sem pressa, toda linda. E tartarugas marinhas e peixes e águas vivas....começo a me sentir muito bem, e que sorte tamanha tenho nesta vida! A vida gritando: oiiiiiiiiii! E eu tava lá: oiiiiiiiii! Tô aqui, Brasil! Lindeza demais...

Assistia curiosa àquela reunião onde era uma estranha, mas isso não me incomodou. Um entorno agradável e harmonioso. Pessoas de bem, do bem. Senti um bem-estar profundo...nunca tive disso. Achei bom.

Dicotomia dos sentidos e eu lá tentando drilbar uma terrivelmente forte tpm, mêda de mim. Lutando ferozmente para não soltar o leão que ruge forte aqui dentro...mas era tudo tão lindo. Por momentos parecia haver um sapo na minha garganta, coachando e inchando, inflando os sentidos e qualquer cutucada que eu levasse seria suficiente para eclodir uma guerra! Mas, o amor pairava, não teve cutucada, teve sorrisos e abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim...e eu via, lindo. Achava tudo lindo. O amor venceu. Ufa!

Agrdeço por isso. O carnaval se foi sem passar por mim. Achei bom.

O amor cresceu, fortaleceu, criou raízes profundas. Achei bom.



Escrito por Barbarella e a vida é bela às 11h59
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um video e um poema

Uma das mais lindas canções desta mujer de big cojones chamada Polly Jean Harvey...

he came riding fast like a phoenix out of fire flames

he came dressed in black with a cross bearing my name

he came batrhed in light and the splendor and glory

I can't believe what the lord has finally sent me!

 


De Carlos Drummond de Andrade:

A Palavra

"Já não quero dicionários

consultados em vão.

Quero só a palavra

que nunca estará neles

nem se pode inventar.

Que resumiria o mundo e o substituiria.

Mais sol do que o sol,

dentro da qual vivêssemos

todos em comunhão,

mudos,

saboreando-a."

 


Vejo um arco-íris lá no céu...vejo onde ele começa e ele termina aqui.

Volto bem, melhor. Estou pronta, vamos lá!



Escrito por Barbarella e a vida é bela às 20h24
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E a vida! E a vida o que é?

Preciso de alguém que me trate com carinho, que trate com tato. Que tenha cuidado ao cuidar de mim e que aceite meus cuidados também. Pois sou cuidadora....mãezinha. Trato das feridas alheias ainda melhor do que das minhas...

Preciso de algúem que me engula, mastigando devagar...

Porque tenho uma carga, e essa carga por vezes me pesa demais...tanto que não aguento e desabo. arrrghhhhhh!

Porque será que a convivência é tão difcil., Não precisamos conviver, mas o sangue. O sangue nos obriga a algo tremendamente obscuro. Por que essa obrigação? Não me sinto ligada à nada. Nao me sinto parecida, familiar....não me sinto pertencente a esse mundo. E, mesmo assim, choro suas dores. Choro todas as dores...e quando não choro, sofro por não ter vontade de chorar. Minha vida se edifica e desaba a cada segundo. Tenho medo de não me conter. E medo da felicidade que há em mim. Porque não ser feliz quando se pode? Pois sofro o sofrimento dos outros e carrego a cruz que não é minha. Mas a culpa, essa desgraça cristã abominááááável e tão intrínseca na nossa confusão de ser, me faz perder os caminhos e errar os destinos a que me proponho.

Estou farta!

Mas não hesite. Não hesite em me deixar se o fardo for por demais grande, pesado ou enfadonho...mas me deixe de vez. Me deixe só. O sofrimento da solidão me é inconcebível!!! Mas ainda o prefiro. Prefiro a solidão ao nada. Ao vazio. Ao superficial.

Me ame com as entranhas....me faça parte de mim como eu de ti. Porque somos humanos e precisamos de carne, sangue e ossos.

Quero me ver feliz assim como a você.

Minha felicidade não depende você, mas você pode muito bem causar minha infelicidade. Se me basto como sou, posso ser sozinha. Mas me dê você de amor!

Me dê amor cheio de você!

Vida, amor e suor...muito suor pra lavar nossa alma...lama que sai dos poros entupidos por essa poluição negra que nos envolve.

Desopila-me!

Não me basto e somente a essa conclusão que chego.

 

De T.S. Elliot, discípulo de Baudelaire, grande amante de Paris e todas suas gostosuras dos anos 20. Anos de liberdade e libertinagem, medo e fúria, delícia, gozo e drama:

East Coker

Em meu princípio está meu fim. Umas após as outras
As casas se levantam e tombam, desmoronam, são
                                        [ ampliadas,
Removidas, destruídas, restauradas, ou em seu lugar
Irrompe um campo aberto, uma usina, um atalho.
Velhas pedras para novas construções, velhos lenhos
                                        [ para novas chamas,
Velhas chamas em cinzas convertidas, e cinzas sobre
                                        [ a terra semeadas,
Terra agora feita carne, pele e fezes,
Ossos de homens e bestas, trigais e folhas.
As casas vivem e morrem: há um tempo para
                                        [ construir
E um tempo para viver e conceber
E um tempo para o vento estilhaçar as trêmulas
                                        [ vidraças
E sacudir o lambril onde vagueia o rato silvestre
E sacudir as tapeçarias em farrapos tecidas com a
                                        [ silente legenda.

Em meu princípio está meu fim. Agora a luz declina
Sobre o campo aberto, abandonando a recôndita
                                        [ vereda
Cerrada pelos ramos, sombra na tarde,
Ali, onde te encolher junto ao barranco enquanto
                                        [ passa um caminhão,
E a recôndita vereda insiste
Rumo à aldeia, ao aquecimento elétrico
Hipnotizada. Na tépida neblina, a luz abafada
É absorvida, irrefratada, pela rocha grisalha.
As dálias dormem no silêncio vazio.
Aguarda a coruja prematura.

 



Escrito por Barbarella e a vida é bela às 23h16
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Moonriver and me...

oh, my huckleberry friend!

 



Escrito por Barbarella e a vida é bela às 14h56
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