ego passado
Metamorfose de Narciso de Salvador Dalí
Ao se melindrar com palavras sebosas, percebia um calor oriundo do mais profundo e rotundo submundo. O ego. Não quero parecer pragmática ou coisa parecida, mas não se deve alimentar esse bicho estranho, escuro, estúpido que nos corrói as entranhas e transforma a face de mephisto num quase buda da compaixão. Cuidado com a Cuca que a Cuca te pega, te pega daqui, te pega de lá. Quero ver caírem os umbigocentistas de plantão. Ainda sentirão, ainda sentirão... E eu na minha concha, entro larva, saio pérola. Quanto mais me protejo, mais me protejo. É só carcassa, meu filho. Só carcassa. Não vale isso tudo, nem vale nada. Ou melhor, não sabemos o valor real, ou o valor é muito relativo como tudo na vida. Mas, e daí? Quam dá a medida é você. Se alguém supervaloriza alguma coisa, é você mesmo, neném. Pára de se cutucar. Abre esses olhos de madre-pérola, estufa esse peito de pombo de prata. Aquece esse coração de lagarto esfomeado, aracnídeo dos infernos. Sê gente, oh! Sê gente. Veja na minha mão, que ela está estendida a você. Que você pode pegar nela e achar algum conforto. Eu quero o oposto do osso. Você quer exatamente isso. O mundo gira aos nossos redores...ao redor de cada um e entre todos, e rodopia por aí e volta pro nosso centro. O centro é seu e eu tenho o meu. Não deixe as areias cobrirem seu caminho. As passadas foram lentas e dolorosas. Não podem ser esquecidas. Há que pisar nos mesmos passos para mantê-los na sua história. Não deixar para trás... Lembra-te de ti e então saberás.
Escrito por Barbarella e a vida é bela às 17h27
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