Devaneios & Realismos


E a vida! E a vida o que é?

Preciso de alguém que me trate com carinho, que trate com tato. Que tenha cuidado ao cuidar de mim e que aceite meus cuidados também. Pois sou cuidadora....mãezinha. Trato das feridas alheias ainda melhor do que das minhas...

Preciso de algúem que me engula, mastigando devagar...

Porque tenho uma carga, e essa carga por vezes me pesa demais...tanto que não aguento e desabo. arrrghhhhhh!

Porque será que a convivência é tão difcil., Não precisamos conviver, mas o sangue. O sangue nos obriga a algo tremendamente obscuro. Por que essa obrigação? Não me sinto ligada à nada. Nao me sinto parecida, familiar....não me sinto pertencente a esse mundo. E, mesmo assim, choro suas dores. Choro todas as dores...e quando não choro, sofro por não ter vontade de chorar. Minha vida se edifica e desaba a cada segundo. Tenho medo de não me conter. E medo da felicidade que há em mim. Porque não ser feliz quando se pode? Pois sofro o sofrimento dos outros e carrego a cruz que não é minha. Mas a culpa, essa desgraça cristã abominááááável e tão intrínseca na nossa confusão de ser, me faz perder os caminhos e errar os destinos a que me proponho.

Estou farta!

Mas não hesite. Não hesite em me deixar se o fardo for por demais grande, pesado ou enfadonho...mas me deixe de vez. Me deixe só. O sofrimento da solidão me é inconcebível!!! Mas ainda o prefiro. Prefiro a solidão ao nada. Ao vazio. Ao superficial.

Me ame com as entranhas....me faça parte de mim como eu de ti. Porque somos humanos e precisamos de carne, sangue e ossos.

Quero me ver feliz assim como a você.

Minha felicidade não depende você, mas você pode muito bem causar minha infelicidade. Se me basto como sou, posso ser sozinha. Mas me dê você de amor!

Me dê amor cheio de você!

Vida, amor e suor...muito suor pra lavar nossa alma...lama que sai dos poros entupidos por essa poluição negra que nos envolve.

Desopila-me!

Não me basto e somente a essa conclusão que chego.

 

De T.S. Elliot, discípulo de Baudelaire, grande amante de Paris e todas suas gostosuras dos anos 20. Anos de liberdade e libertinagem, medo e fúria, delícia, gozo e drama:

East Coker

Em meu princípio está meu fim. Umas após as outras
As casas se levantam e tombam, desmoronam, são
                                        [ ampliadas,
Removidas, destruídas, restauradas, ou em seu lugar
Irrompe um campo aberto, uma usina, um atalho.
Velhas pedras para novas construções, velhos lenhos
                                        [ para novas chamas,
Velhas chamas em cinzas convertidas, e cinzas sobre
                                        [ a terra semeadas,
Terra agora feita carne, pele e fezes,
Ossos de homens e bestas, trigais e folhas.
As casas vivem e morrem: há um tempo para
                                        [ construir
E um tempo para viver e conceber
E um tempo para o vento estilhaçar as trêmulas
                                        [ vidraças
E sacudir o lambril onde vagueia o rato silvestre
E sacudir as tapeçarias em farrapos tecidas com a
                                        [ silente legenda.

Em meu princípio está meu fim. Agora a luz declina
Sobre o campo aberto, abandonando a recôndita
                                        [ vereda
Cerrada pelos ramos, sombra na tarde,
Ali, onde te encolher junto ao barranco enquanto
                                        [ passa um caminhão,
E a recôndita vereda insiste
Rumo à aldeia, ao aquecimento elétrico
Hipnotizada. Na tépida neblina, a luz abafada
É absorvida, irrefratada, pela rocha grisalha.
As dálias dormem no silêncio vazio.
Aguarda a coruja prematura.

 



Escrito por Barbarella e a vida é bela às 23h16
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